|
[Quinta-feira, Agosto 14, 2008]
Vibração. Forte e constante vibração. Vibração estrangeira, daquelas que nos são tão incompreensíveis que nos fazem sentir totalmente desconhecedores de sua origem – ainda que ela pareça vir de fora, de dentro, de baixo, principalmente de baixo. Parece que o quarto está sendo empurrado para cima em alta velocidade, como que voando pela noite seca e subliminar. E ao mesmo tempo, enquanto olho para as teclas do teclado do computador, observo a incidência possante da luz azul vinda do letreiro do prédio em frente, evidenciada pela leve, porém eterna, escuridão da noite. A noite sempre é mais escura quando nos sentimos mais sozinhos, não é mesmo? Tudo vibrava, como se alguma trama estivesse sendo tecida sem meu conhecimento. Enquanto isso, eu tremia de impotência, ciente de que a história da minha vida se reescrevia por todos aqueles instantes, e que, para variar, eu sofria sua ação calado, imóvel. Tremia por não ter coragem de pular, gritar, rasgar os documentos. Já reparou que todos os ‘seus’ documentos na verdade se referem à uma coisa que NÃO te representa? Identidade tem muito mais a ver com o drink que você prefere, ou o lado da rua pelo qual você costuma andar... ou quem sabe até mesmo aquele dia em que você penetrou nos olhos de um desconhecido e ali viu um mini-futuro comum lançando suas cores na linha do tempo, e logo após, bruscamente retrocedendo em negação? Ouço a voz dela ecoando na noite que ocorre dentro da minha mente e realmente não sei se a quero para mim, ou se quero me anular para ser dela... ouço a voz dele também e não sei se lhe sou absurdamente grato e admirador, ou se o amor me toma de surpresa no momento mais “distante de mim mesmo” que já vivenciei. Nulidade, saudade. Nulidade gera saudade? Saudade de alguns, saudade de algos, saudade de mim. Sem acesso a mim, me desinteresso pelo que me é externo? O mundo? Paradoxal, não?... Nunca fui muito fã de mim... Abro a janela, deixo a noite de dentro, mais densa, se misturar com a de fora. O som dos carros invade, galopante. Fecho a cortina, porém permito que uma nesga de azul invada projetando-se na parede bem à altura dos olhos quando estou deitado sobre a cama. Deito-me. Odeio este travesseiro. Tudo isso me distrai. A distração me tira a vibração, e eu a amo por me afastar de falsas realidades que cismam em me atrair, e me assustar.
por *
1:17 AM
|
...........................
[Sexta-feira, Agosto 08, 2008]
Às vezes a vida nos faz agradecer por não termos olhos que enxerguem o mundo de maneira cubista o tempo todo, para o mal e para o bem. Tem gente que desdobra o outro com o olhar, quase todo mundo o faz. Aquela coisa de supor além do exposto, além do dado pelo mundo.
A gente costuma se apaixonar por algumas faces, certo? Afinal, ninguém tem acessos a todas as faces de ninguém (nem mesmo as físicas... em diferentes horas do dia e estados emocionais as pessoas apresentam faces corporais inéditas!). Pois bem, eu sou daqueles que consegue se apaixonar por uma face.
"I'm afraid that if you look at a thing long enough, it loses all of its meaning." Andy Warhol
Ontem mesmo, enquanto estava sentado em uma poltrona, me apaixonei por uma face de quem estava na minha frente. Uma face imóvel. Eu admirava a face, e, ainda bem, ela permanecia imóvel. Eu sabia que qualquer movimento destruiria tudo. E. como esperado, houve o movimento. Mínimo, porém o suficiente para me desiludir. Por mais que o corpo tenha voltado à posição original, a face que amei, nada mais era igual.
por *
12:54 PM
|
...........................
[Quarta-feira, Julho 30, 2008]
Reflexão
Minha mente anda escrevendo por aí
Com mãos alheias, em muros alheios,
Para que eu convença a mim mesmo
Daquilo que eu mesmo criei e senti.
(29/07/08)
por *
12:52 AM
|
...........................
[Sábado, Junho 28, 2008]
Avenir
Salut, Je m'appelle Avenir
Oui, tu ne me connais pas
En essaie de ne pas m'haïr
Tu ne me jamais connaîtra
Même si je suis toujours proche
Tes bras ne jamais m'atteignent
Tes pieds se fatiguent en vain
Tes yeux sont toujours si loin
Et si tu as tellement peur de moi
Ne - t'inquiètes - pas!
Oui, tu ne me connais pas
Tu ne me jamais connaîtra
(26/06/08)
por *
11:14 PM
|
...........................
[Terça-feira, Junho 24, 2008]
Olhos
Meu futuro é aquele rosto
meio na luz, meio na penumbra,
que me encara a contra-gosto
sem julgar mas sem ceder
e de forma vil e turva.
(Abril/2008)
por *
1:13 AM
|
...........................
|