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Pedro | 21 anos | Rio de Janeiro |
Interest Matters: Francês, Jazz, Indie, Música Clássica, Folk, L'Arc~en~Ciel, Arctic Monkeys, Angra, Keane, the Smiths, the Cure, Ella Fitzgerald, Billie Holiday, Flëur, Vanguart, Jamie Cullum, Diana Krall, noite, Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Franz Kafka, Julien Sorel, Honey and Clover, NANA, gatos, concertos, cinema, cinema, cinema, fotografia, fotografia, fotografia.

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[Quinta-feira, Janeiro 07, 2010]

Ainda me lembro de quando migrei para este blog, e pensei em como tudo seria diferente e mais "eu" aqui, etc. De fato, foi a sensação que tive durante grande parte destes quatro anos. Enfim, muita coisa mudou aqui dentro, e me parece necessário migrar novamente (além do fato de que o sistema da globo.com está bem ruinzinho, deixando o blog fora do ar quase sempre!). Então, convido-os ao novo (que estreei alguns dias antes do ano novo, quebrando padrões bobos)! http://sansissue.wordpress.com/. Adeus, lumineux-noir.

por * 12:43 AM

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[Sábado, Outubro 10, 2009]

A história que em mim se manifesta hoje é a história de um homem que atirou com uma pistola. Um gesto obsceno e desafiador, porém sempre como uma brisa de vento frio em uma manhã de muito sol e calor, não é mesmo? Este homem, brincando de deus, feriu o mundo e feriu a realidade palpável. Não gostava de ler jornais, pois tudo lhe parecia muito ficcional. Não gostava também, por sua vez, de ler romances, pois tudo lhe parecia deveras real. Aos domingos, comprava jornais e ia ao parque Ibirapuera com uma marmita cuidadosamente protegida por um pano de tema xadrez. Sentava-se em um banco, nunca o mesmo, e observava as pessoas passarem. Pessoas maiores do que suas sombras, pessoas menores do que suas sombras, pessoas do tamanho das suas sombras. Sempre puxava papo com as que fossem menores do que as próprias sombras. Naquele domingo em especial, às 13h sentou-se no canto da leitura e comeu sua marmita fazendo gestos espalhafatosos e muitos ruídos com a boca. Chupava os dedos tenazmente. Todos fingiam não vê-lo, e por este motivo ele persistia e até prolongava seu banquete. Às 14h foi assistir os cisnes negros passarem, e quando os olhos cansavam de acompanhar as aves, apenas observava a poluição suavizando o horizonte. O pôr do sol lhe parecia lindo naquela cidade, com toda aquela poluição fundindo as cores e as deixando etéreas - só não ganhava do pôr do sol no rio Guaíba, o favorito de dez em cada dez pessoas que já o testemunharam. Durante o pôr do sol, o momento no qual ficava emocional demais, a ponto de não aguentar, era o que ditava a hora de partir, e assim ele partiu, pressionando os dedos contra as rugas do rosto cansado e velho. O caminho de volta, até a saída do parque, sempre era o mais penoso. Cabisbaixo ele seguia, espantando os pombos com o jornal (só comprava o jornal para isto ou para rapidamente encontrar um assunto para ter com transeuntes em caso de última necessidade) e observando os últimos raios de luz do sol passando através das folhas das árvores e brincando no chão. A luz sempre brinca, e sempre nos engana. Com o fim do pôr do sol, chega, a noite, e parte, a razão. Ele acelera o passo e, por não estar olhando para frente, esbarra em uma jovem de um grupo de quatro jovens que por ali passavam. Ninguém se machuca, ele pede desculpas com a voz quase nula, e ela sorri com os olhos apertados para ele, como quem diz "não foi nada". Um dos jovens do grupo aproveita a oportunidade para pedir uma ajuda, o homem não sabe ajudar e inventa qualquer coisa só para não decepcionar os jovens. Era a primeira vez que ele falava com alguém em muitas semanas, então sentiu uma vontade incontrolável de falar mais com eles, apesar de eles já o terem deixado para trás. O velho corre atrás dos jovens e se oferece para levá-los até o ponto de ônibus. Eles parecem hesitantes, e parecem não conseguir encontrar uma desculpa a tempo para não terem que aceitar a oferta. A educação os impede de negar a oferta, portanto, o velho segue com eles, conversando com um dos jovens, o qual parecia ter um dom especial para manter conversas com estranhos e parecer interessado. Conversaram sobre diferenças culturais, por assim dizer. O homem, querendo ficar o máximo de tempo possível conversando com os jovens, segue por caminhos errados múltiplas vezes para que eles continuem se perdendo e não consigam sair do parque imediatamente. Anoitece. Os jovens não aguentam mais a situação e as conversas. Dois dos jovens já ignoram o homem descaradamente, o outro jovem caminha hesitante, de vez em quando soltando uns "ãrrãs" e o outro jovem ainda responde com um mínimo de entusiasmo, ainda que seja um falso. O velho de repente tem acesso a uma memória antiga, de seus filhos jovens, e para, ficando ali, imóvel no meio do caminho. Os jovens continuam sem hesitar - resolveram fingir que não o viram. Ele se ajoelha e põe-se a chorar, querendo poder voltar a ver seus filhos e esposa há tantos anos sem serem vistos por ele. Fazia vinte anos desde a última vez que os vira. Fazia vinte anos desde que os matara, no meio do sono, silenciosa e covardemente. Os jovens, que agora eram apenas um pequeno borrão escuro pelo prisma daqueles olhos úmidos de velho cansado, se punham a rir do velho e de todos os comentários estranhos por ele feitos, de todos os erros de língua e frases terminadas bizarramente. Termina-se isto bizarramente, pois.



por * 11:07 PM

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[Terça-feira, Outubro 06, 2009]

Naquela noite com um baita luar, ela desceu as escadas do prédio correndo. Depois as escadarias de Santa Teresa. Tudo isto para, ao ver aquele homem que conhecia de vista e de chapéu, e sua única lágrima presa no rosto, de fato a única lágrima que ele tinha para oferecer, sentir uma vontade pulsante de voltar. Ela o olhou por mais alguns instantes, enquanto esperava uma mudança em sua expressão. Nada mudava. De repente uma frase saía meio sussurrada, maladroitement de sua boca... "How can a loser ever win?"... O homem cobre seu rosto com o chapéu, vira-se de costas, acende um cigarro e parte vagarosamente. Ela então percebe que está pisando em uma poça de águas turvas como sua mente tortuosa e dá um passo atrás. Neste momento a conspiração do mundo faz o homem parar e instintivamente também dar um passo atrás. sárta ossap mu rad mébmat etnemavitnitsni ... vrrrbrrrrbrrrrrbrrr.... | ... | ... Naquela noite com um baita luar, ela ficou em casa ouvindo Thelonious Monk e observando a luz do letreiro piscante do prédio a frente brincando na parede do quarto iluminado por luz de abajur. Anos após ela ainda se lembra desta uneventful night.



por * 3:27 AM

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[Quinta-feira, Setembro 24, 2009]

Do alto daquela colina, o pequeno Joaquim, com suas pernas quase não aguentando mais de cansaço, olha para baixo para ver se Carlos e Elisabete o acompanhavam. Não conseguia vê-los, realmente não conseguia. Não saberia dizer se era a neblina, ou se, de fato, eles tinham ficado para trás. Joaquim chorava porque estava sozinho, suas mãos tremiam, sua garganta coçava como se sua voz lhe tivesse sido arrancada por um enorme gancho de metal. Então ele decide olhar novamente para baixo, para ver se a senhora Vicks e o senhor Mulhões pelo menos poderiam ser vistos. Nada. Somente a impressão forte de que o sr. Mulhões estaria próximo em algum lugar - seu rosto e voz vinham à memória de quando em vez. O pobre Joaquim resolve então por alguns instantes sentar-se no chão encoberto de neve e tirar todos os seus brinquedos da mochila e colocá-los à sua volta, como que para protegê-lo e fazê-lo companhia. O rosto do sr. Mulhões não parava de vir-lhe à mente. Por um instante tem a impressão de ver o rosto da pequena Elisabete, no entanto, não, alarme falso. Agora que suas pernas não doem mais, ele já está se acostumando com a ideia de estar sozinho naquela colina falsamente serena. Falsamente, pois nunca se sabe que tipo de mal pode nos aguardar no topo de uma colina. Neste momento, o sr. Mulhões finalmente aparece no topo da colina. Joaquim o observa surpreso, e percebe lágrimas nos olhos do velho. O velho se despede com um aceno e desce para procurar os outros. Joaquim resolve continuar em frente, mesmo sem os outros, tentando chegar ao outro lado da colina. Acaba se entretendo com pequenas criaturas que encontra no caminho, e também com velhos amigos que, vindos de delírios, aparecem em sua frente para lhe confortar. Quando finalmente pára, repara que a Sra. Vicks lhe alcançou (desta vez não é um delírio). Ela conversa com ele, conta sobre a última vez que viu Carlos, Elisabete e o sr. Mulhões, e parece otimista em reencontrá-los naquela colina. Joaquim, no entanto, parece realmente não acreditar que seria impossível encontrar Carlos e Elisabete, como se eles não realmente quisessem ser encontrados. A sra. Vicks discorda dele, porém não tenta contrariá-lo muito (no fundo ela acha o mesmo, desconfia daquelas crianças levadas). O garoto parece perturbado pela colina. Todo aquele frio e silêncio não lhe fazem nada bem, e tudo aquilo parece feri-lo de forma cada vez pior, como feridas de uma adaga na pele suave de um pêssego. Apesar de tudo, Joaquim se preocupa com o sr. Mulhões. Este sim lhe preocupa muito. Onde estaria? Como estaria? Por que males teria passado? A sra. Vicks havia visto o velho depois de Joaquim, mas não realmente sabia dizer o que se passava com o pobre naquele momento. Por algum motivo claro para Joaquim, porém não claro para este senhor que lhes conta esta história, por mais que o menino quisesse rever seus dois pequenos amigos, perdidos pela colina, sua única opção era continuar seguindo em frente, sem voltar para tentar encontrá-los. Porém aqui e ali ele deveria olhar para trás, como quem verifica. Pelo menos parecia o certo a fazer.



por * 2:48 AM

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[Sexta-feira, Agosto 28, 2009]

As vezes penso sobre os censores que regem o mundo. Pequenos acordos que preservam o mundo da falta de comunicação total. Um papel, por exemplo, enquanto está intacto é fantastica e perigosamente infinito em possibilidades. Rodin um dia encontrou um papel e fez esboços de "O Pensador", ao passo que Franz Kafka, tendo encontrado um papel com o mesmo potencial, nem superior nem inferior em possibilidades, rascunhou as primeiras frases de "O Processo". O interessante é pensar que Rodin poderia ter desenhado um triângulo isósceles com um círculo ao lado, e Kafka poderia ter escrito um ensaio sobre Hamlet. Nunca se soube, nunca se sabe e nunca se saberá delimitar as possibilidades a não ser pelos censores. Censores que impedem uma mulher fogosa de clamar por sexo ao primeiro homem atraente que encontra, que impedem um rapaz de jogar sua mochila do décimo andar de um prédio, que impedem um pai de família de gastar todo seu salário em esfihas.



por * 4:09 AM

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